Stephanie Sonsin é psicóloga e psicanalista com mais de 16 anos de experiência clínica em Curitiba (PR), pós-graduada em Psicanálise com Crianças e Adolescentes pela UNICENTRO. Ela atende adolescentes que apresentam ansiedade, tristeza persistente, comportamentos de risco, dificuldades de relacionamento e sofrimento emocional, e oferece orientação parental para famílias que não sabem como ajudar o filho nessa fase.
Como saber se meu filho adolescente precisa de acompanhamento psicológico?
A adolescência é naturalmente marcada por oscilações de humor, questionamentos de identidade e conflitos com figuras de autoridade. Isso é parte do desenvolvimento normal. O desafio para os pais — e para o próprio adolescente — é distinguir o que é esperado do que é sinal de sofrimento que merece atenção.
Alguns comportamentos que merecem avaliação profissional quando persistem por mais de duas semanas: ansiedade intensa que impede atividades cotidianas, tristeza profunda ou choro frequente sem causa aparente, isolamento social progressivo, abandono de hobbies e interesses antes valorizados, queda brusca no rendimento escolar, irritabilidade excessiva e conflitos constantes em casa, comportamentos de risco (uso de substâncias, comportamentos sexuais impulsivos, automutilação), ou mudanças abruptas de personalidade.
Se você observa esses sinais, buscar avaliação psicológica é um ato de cuidado — não uma declaração de que algo está “muito errado” com seu filho.
Por que o adolescente muitas vezes resiste a ir ao psicólogo e como lidar com isso?
A resistência do adolescente a ir ao psicólogo é um dos temas mais frequentes nas conversas de Stephanie Sonsin com pais. E essa resistência, na maioria das vezes, faz todo sentido — não é teimosia ou falta de vontade de melhorar.
O adolescente está em uma fase de afirmação de autonomia. Aceitar ir ao psicólogo porque os pais mandaram pode parecer uma rendição à autoridade parental — exatamente o que ele está tentando escapar. Além disso, muitos jovens têm estigma sobre saúde mental (“psicólogo é para louco”), medo do que o profissional vai “descobrir” ou revelar, ou simplesmente não sabem o que esperar do processo.
Algumas estratégias que costumam funcionar: apresentar a ideia sem impor (“quero que você tenha esse espaço, não é obrigação”); oferecer autonomia na escolha do profissional; garantir o sigilo das sessões desde o início; e, se possível, deixar que o próprio adolescente decida se quer ir. Forçar raramente funciona e pode criar resistência ainda maior.
Como funciona o atendimento psicanalítico com adolescentes na prática?
O atendimento de adolescentes com Stephanie Sonsin é diferente do atendimento infantil — e diferente do atendimento adulto. O adolescente não precisa brincar como a criança, mas também não tem necessariamente o mesmo nível de reflexão verbal que o adulto.
As sessões são um espaço de fala livre — o adolescente fala sobre o que quiser, no ritmo que quiser. Stephanie ouve com atenção e, ao longo do tempo, ajuda o jovem a compreender padrões que ele mesmo não percebe: por que reage de determinada forma, o que está por trás de certos comportamentos, o que quer dizer aquilo que sente mas não sabe nomear.
A frequência usual é semanal. O processo é gradual — a confiança se constrói sessão a sessão, e os resultados aparecem na medida em que o jovem se dispõe a se conhecer.
Como os pais participam do processo sem invadir o espaço do adolescente?
Essa é uma das questões mais delicadas do atendimento de adolescentes: como incluir os pais no processo sem quebrar a confiança do jovem? Stephanie Sonsin tem uma postura clara: o sigilo com o adolescente é inegociável — exceto em situações de risco concreto. O que acontece nas sessões não é compartilhado com os pais.
Ao mesmo tempo, os pais são parte essencial do contexto do adolescente e também precisam de apoio. A solução é realizar encontros periódicos separados — entre Stephanie e os pais, sem o adolescente presente — onde são discutidas orientações gerais sobre o processo e estratégias para melhorar a comunicação em casa. O adolescente é informado sobre esses encontros e sabe que seu conteúdo não será revelado.